Em pleno século XXI ainda há quem lute desesperadamente pelos mesmos direitos. Se antigamente a batalha era travada entre Homens e Mulheres, agora a guerra mudou de lado e tem juntos Homens e Mulheres, mas com pequenas particularidades. Apesar de não quererem categorizações é inevitável que tal aconteça. Durante anos considerados doentes, os homossexuais exigem que os tratem com respeito e lhes dêem os mesmos direitos que dão aos heterossexuais.
Falar de discriminação é inevitável, mas a polémica instala-se quando nela se fala. Os direitos matrimoniais, a adopção e o simples gesto que é dar sangue, são direitos vetados a quem se assume como homossexual. Numa sociedade que é cada vez mais heterogénea, aceitar aqueles que são considerados "homogéneos" é praticamente impensável e quem os aceita é igualmente visto de lado.
Por onde começar para encontrar a resolução do problema? Essa é a grande questão que até hoje não tem resposta. Se por um lado atribuem a culpa aos heterossexuais, por outro são os próprios os acusados de se destacarem do resto da sociedade, fazendo questão de vincar as diferenças. No trabalho, na escola, na rua e principalmente em casa, deve ser trabalhada a questão da igualdade de direitos.
Mas não se deve focar apenas um lado. A questão religiosa tem um peso muito importante e quem é religioso de fortes convicções não consegue aceitar as diferenças. O motivo parte de cima, do mais alto poder da Igreja, que ainda que possa admitir casos de pedofilia, adultério, violações e mesmo de homossexualismo no seio dos seus, não consegue ouvir o que realmente é pretendido pelos homossexuais: o direito à igualdade.
Assumirem-se é penoso, a família muitas vezes não consegue aceitar, muito por culpa da pressão exercida pela própria sociedade, acabando por expulsar e até agredir aqueles que amam mais do que tudo. A culpa do porquê ter acontecido e questionarem-se onde erraram, são sentimentos que vêem ao de cima e que por vezes nunca chegam a ser ultrapassados. O tempo é a única solução para o problema, mas enquanto não faz efeito, o que realmente acontece com quem ousou sair do esconderijo? Amigos e familiares compreensivos podem ser a resposta, mas nunca se terá a certeza do que acontece. Fisicamente as coisas podem ficar na mesma, caso não aja violência, mas psicologicamente as coisas ficam indescritíveis e raramente voltam ao normal.
Porque é que tudo tem de ser assim, se deveria ser considerado normal? Porque é que se escolhe ser homossexual em vez de heterossexual? Porque é preciso assumir uma coisa que se é? Porque é que nunca ninguém se põe no lugar do outro e por uns momentos sente na pele o que o outro está a sentir?
São questões que ficam no ar e a que ninguém responde. Não por medo, por vergonha, mas porque não são capazes de encontrar a resposta. São coisas que se fazem, sempre se fizeram e ninguém sabe porquê, nem quem começou. Ninguém é homossexual a partir de certa idade. Quando se é, nasces-se a ser e não há volta a dar por muito que se queira. Resta assumir-se interiormente, aceitar-se como é e só muito depois, se assim o entender, dar a conhecer-se a quem acha importante.
O problema maior de "sair do armário" é que muitas vezes a própria família nega incessantemente o que está à vista de todos e quando tem as suspeitas confirmadas entra em negação sobre aquilo que sempre soube: a verdade!
Anselmo Oliveira




Parabéns pela rúbrica e pelo texto! Muito bem abordado este tema delicado ; )
ResponderEliminarAinda bem que gostaste. Tento falar de forma clara, sem rodeios e tabus. É difícil abordar certos temas, este foi um deles.
ResponderEliminarObrigado pelo comentário.
Sim a rubrica está muito bem pensada e elaborada. Este é um tema muito actual e cada vez se fala mais, porque Felizmente há mais pessoas a sair do "tal armário" e assumirem-se.
ResponderEliminarBom trabalho ;)