Existem na sociedade vários problemas que ninguém quer ver, ninguém quer denunciar, mas que todos tememos. A violência sempre foi um desses casos. Todos sabemos como se processa a violência nas suas mais diversas formas - psicológica, física, verbal - mas ninguém sabe o porquê da sua existência. Não se é violento por que se quer ou nasce com tendência para tal. É-se violento porque algo nos é incutido erradamente e aos primeiros sinais não é dada a devida atenção.
Actualmente fala-se muito no bullying ou violência escolar. O fenómeno não é novo e sempre existiu, mas tem-se alastrado rapidamente a toda a população juvenil, fazendo até vítimas mortais. Como se pode intervir com jovens que são vítimas ou agressores? Bom, a sensibilização não basta e é preciso ir mais além. Procurar as famílias de ambos os lados, de quem agride e de quem é vítima, e coloca-las a par da situação é uma das formas existentes para controlar a situação, ou pelo menos para por as famílias a par do ocorrido. Algo que nunca se deve fazer é falar directamente com o agressor, pois isso só trará consequências para a vítima, que foi fazer "queixinhas".
O facto de se sentirem superiores com a desgraça dos outros é um indicador que tem de ser detectado antes mesmo das possíveis agressões. Detectar também os alunos que andam mais afastados dos colegas ou que por norma são os últimos a serem escolhidos para as actividades escolares também pode ser fundamental, o que revela uma distância entre aquele aluno e o resto da turma.
Numa sociedade em que o valor das coisas anda na ordem do dia, quem não usa produtos de marca "X" ou "Y" é por norma alvo de chacota entre os colegas. Ainda que não passem de simples brincadeiras, podem ter consequências graves se vierem na sequência de outros tipos de violência. Quando isso acontece, cabe aos professores/educadores/pais/amigos alertar para a situação e fazer ver à criança/jovem que o facto de não se usar artigos de marca não impede ninguém de ter o seu valor enquanto ser humano. A intervenção a fazer deve ser de alerta, pois muitos não fazem ideia de que as "marcas" são produtos supérfluos e que nos tempos que correm, em que muitas pessoas não têm dinheiro para comer, gastar dinheiro em artigos de "marca" é por vezes considerado uma "ofença". Já que se fala de "marcas" pode-se também fazer uma intervenção em educação para o consumo, explicando devidamente como tudo se processa, falando superficialmente no marketing que envolve as "marcas" e que lhes dá prestígio e notoriedade.
Como dá para ver, falar de bullying é falar de tudo. Falar do que está bem, falar do que está mal, arranjar estratégias para chegar à solução e caso não dê certo voltar a fazer tudo de novo...
Não há um principio nem há um fim no bullying, mas existe um meio a trabalhar em prol do que ainda virá.
Anselmo Oliveira



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